Entenda por que a proteção vai além da gramatura e quais fatores realmente fazem a diferença na escolha do não tecido.
20 g/m², 30 g/m², 40 g/m² ou 50 g/m²?
Essa costuma ser uma das primeiras dúvidas de quem procura TNT para fabricar roupas e materiais hospitalares.
Entretanto, apesar de a gramatura ser uma característica importante do não tecido, ela não determina sozinha o nível de proteção do produto.
Isso porque, principalmente na área médico-hospitalar, é necessário considerar também a estrutura do material, a tecnologia utilizada em sua fabricação, as diferentes camadas do não tecido, os tratamentos e aditivos empregados e, sobretudo, o desempenho necessário para a aplicação final.
Portanto, antes de perguntar somente: “Qual gramatura de TNT devo utilizar?” É importante fazer outra pergunta: “Qual nível de proteção este produto precisa oferecer?”
A gramatura representa a massa do não tecido por unidade de área e, normalmente, é apresentada em gramas por metro quadrado g/m².
Em outras palavras, ela indica quanto material existe em determinada área do TNT.
Consequentemente, a gramatura pode influenciar algumas características do material, como:
Porém, a gramatura não informa, sozinha, qual será o desempenho de barreira do produto.
Por exemplo, dois TNTs podem possuir exatamente a mesma gramatura e, ainda assim, apresentar comportamentos diferentes quando submetidos ao contato com líquidos ou a outros ensaios.
Isso acontece porque a maneira como o não tecido é fabricado também interfere diretamente em suas propriedades.
Não necessariamente. Essa é uma das principais dúvidas quando se fala em TNT hospitalar.
Para entender melhor, imagine dois não tecidos de mesma gramatura. O primeiro é produzido exclusivamente com camadas Spunbond. Já o segundo combina camadas Spunbond e Meltblown.
Embora os dois possam apresentar o mesmo peso por metro quadrado, suas estruturas são diferentes. Como resultado, também podem apresentar desempenhos diferentes.
Portanto, para especificar uma matéria-prima para uso hospitalar, não basta informar “Preciso de um TNT de 40 g/m²”. Antes disso, é necessário avaliar:
A proteção depende de um conjunto de características do material e do produto acabado.
Entre elas estão: gramatura, tecnologia de fabricação, quantidade de camadas, composição das camadas, distribuição das fibras, diâmetro dos filamentos, porosidade, resistência mecânica, presença de camadas de barreira, tratamentos superficiais, aditivos, repelência a líquidos, características hidrofílicas ou hidrofóbicas, desempenho nos ensaios aplicáveis ao produto.
Dessa forma, gramatura e nível de proteção não são sinônimos. A gramatura continua sendo uma informação técnica importante. Porém, ela precisa ser analisada em conjunto com o desempenho necessário para a aplicação.
Não existe uma única gramatura indicada para todos os produtos hospitalares.
A escolha depende, primeiramente, do que será fabricado.
Um avental, uma touca, um propé, uma máscara ou um campo hospitalar possuem funções diferentes e, consequentemente, podem exigir características distintas da matéria-prima.
Além disso, devem ser considerados fatores como exposição a fluidos, nível de proteção necessário, estrutura do não tecido e requisitos estabelecidos pelas normas aplicáveis.
Para auxiliar fabricantes, compradores e profissionais da área da saúde a compreender melhor essas diferenças, existe uma importante fonte técnica brasileira.
A ABINT — Associação Brasileira das Indústrias de Não Tecidos e Tecidos Técnicos — disponibiliza publicações específicas sobre não tecidos e suas aplicações na área médico-hospitalar.
Entre elas está o informativo “Não Tecidos Médicos e seus Produtos para Saúde”, que apresenta informações sobre tecnologias, matérias-primas, aplicações e referências técnicas do segmento.
Ainda tem dúvidas sobre qual TNT utilizar em aventais, toucas, máscaras, propés ou outros produtos hospitalares?
Esse conteúdo é uma referência complementar, especialmente útil para quem procura respostas para questões como:
Assim, em vez de procurar apenas um valor de gramatura, é possível entender qual desempenho o produto precisa apresentar na aplicação pretendida.
O nível adequado depende da utilização do avental.
Um produto utilizado em uma situação de exposição mínima não possui necessariamente os mesmos requisitos de outro utilizado em uma situação com maior risco de contato com fluidos.
Por isso, a escolha da matéria-prima deve começar pela aplicação do produto acabado.
Para aventais de procedimentos não cirúrgicos, por exemplo, a ABNT NBR 16693:2023 estabelece requisitos de desempenho e diferentes níveis de proteção.
Portanto, em vez de simplesmente escolher uma determinada gramatura de TNT, o fabricante precisa compreender qual desempenho o avental deverá alcançar.
A partir disso, torna-se possível especificar a matéria-prima de maneira muito mais adequada.
O Spunbond é uma das tecnologias utilizadas para fabricar não tecidos.
Nesse processo, um polímero termoplástico — frequentemente o polipropileno — é fundido e transformado em filamentos contínuos.
Em seguida, esses filamentos são distribuídos para formar uma manta e posteriormente consolidados.
Consequentemente, obtém-se um material que pode apresentar características importantes de resistência mecânica, uniformidade e estabilidade.
É dessa tecnologia que surge a letra:
S = Spunbond.
Portanto, quando encontramos nomenclaturas como SS, SSS, SMS ou SSMMS, cada letra identifica uma camada presente naquela estrutura.
Spunbond é a tecnologia usada para produzir a camada.
Já as letras indicam a configuração das camadas.
S – Uma camada Spunbond.
SS – Duas camadas Spunbond.
SSS – Três camadas Spunbond.
Ao utilizar várias camadas, é possível trabalhar características como uniformidade, distribuição dos filamentos, cobertura e resistência do material.
Entretanto, é importante observar que SS e SSS são estruturas constituídas por camadas Spunbond.
Essa diferença é fundamental para compreender posteriormente o SMS e o SSMMS.
O Meltblown também é uma tecnologia utilizada para produzir não tecidos. Nesse processo, o polímero fundido é transformado em fibras muito finas com auxílio de correntes de ar em alta velocidade. Como consequência, forma-se uma estrutura de fibras muito mais finas do que as encontradas normalmente no Spunbond.
De maneira simplificada, podemos pensar assim:
Spunbond: contribui principalmente para estrutura e resistência.
Meltblown: contribui principalmente para propriedades de barreira.
É justamente a combinação dessas duas tecnologias que dá origem a importantes estruturas utilizadas no segmento médico-hospitalar.
O SSS possui três camadas Spunbond: Spunbond + Spunbond + Spunbond
Já o SMS combina: Spunbond + Meltblown + Spunbond
Ou seja: S + M + S
Nesse caso, as camadas externas Spunbond contribuem principalmente para a estrutura e resistência do material, enquanto a camada intermediária Meltblown acrescenta características relacionadas à barreira.
Por isso, mesmo que um TNT SSS e um TNT SMS apresentem gramaturas semelhantes, eles não devem ser considerados materiais equivalentes simplesmente por possuírem o mesmo número de gramas por metro quadrado.
A estrutura de cada material é diferente.
Nas toucas, características como resistência, cobertura, conforto e respirabilidade podem ser importantes.
Por isso, a escolha não deve considerar apenas uma determinada gramatura.
Primeiramente, é necessário saber para qual aplicação a touca será destinada e quais características o produto final precisa apresentar.
O SSMMS utiliza o mesmo conceito, porém com uma estrutura de cinco camadas: Spunbond + Spunbond + Meltblown + Meltblown + Spunbond
Ou: S + S + M + M + S
Dessa maneira, a estrutura combina camadas relacionadas principalmente à resistência com camadas que contribuem para propriedades de barreira. Consequentemente, é possível desenvolver não tecidos destinados a aplicações que exigem características técnicas específicas. Entretanto, existe um ponto importante: ser SSMMS não significa automaticamente possuir determinado nível de proteção.
O desempenho precisa ser avaliado de acordo com os ensaios e requisitos correspondentes à aplicação do produto final.
Sim, além da gramatura e da estrutura das camadas, um não tecido técnico pode receber aditivos, tratamentos e acabamentos funcionais.
Dependendo da aplicação, esses recursos podem proporcionar propriedades específicas, como:
Consequentemente, dois materiais aparentemente semelhantes, inclusive com a mesma gramatura, podem apresentar resultados diferentes.
Por esse motivo, TNT hospitalar não deve ser entendido simplesmente como um TNT de gramatura maior.
Trata-se de uma matéria-prima técnica cuja estrutura pode ser desenvolvida para alcançar propriedades específicas.
Não existe uma resposta única baseada somente em g/m².
Primeiramente, é necessário identificar a aplicação. Portanto, antes de definir a gramatura, o fabricante deve avaliar:
Depois dessas definições, a gramatura pode ser especificada dentro do conjunto de características necessárias para aquele produto.
O mesmo princípio vale para os propés. A matéria-prima precisa ser escolhida considerando a finalidade do produto, resistência necessária, estrutura do não tecido e demais características exigidas para aquela aplicação.
Portanto, simplesmente definir uma gramatura não é suficiente para determinar o desempenho.
Máscaras são um exemplo ainda mais claro da importância de olhar além da gramatura.
Esses produtos podem utilizar diferentes camadas de não tecidos, cada uma desempenhando uma função específica.
Nesse caso, fatores relacionados à filtragem, respirabilidade, resistência a fluidos e desempenho do produto acabado são fundamentais.
Por isso, perguntar somente: “Qual gramatura de TNT utilizar para máscara?” Não é suficiente para especificar corretamente o material.
Campos utilizados em procedimentos médicos também podem exigir propriedades específicas de resistência e barreira.
Além disso, dependendo da utilização, podem existir requisitos diferentes para as áreas do produto.
Consequentemente, a gramatura precisa ser considerada juntamente com a estrutura e o desempenho necessários.
Não tecidos também podem ser utilizados em lençóis, coberturas de macas e produtos semelhantes. Nesse caso, resistência, cobertura, conforto e finalidade do produto ajudam a determinar qual matéria-prima é mais adequada.
Mais uma vez, a gramatura é parte da especificação, e não a especificação inteira.
Sim. Não tecidos podem ser empregados em capas para equipamentos, mesas, bandejas e diferentes itens utilizados em ambientes médicos, laboratoriais e hospitalares.
Cada produto possui necessidades próprias e, portanto, pode exigir estruturas, tratamentos e gramaturas diferentes.
Precisam de resistência, cobertura adequada e barreira conforme o nível de risco.
Demandam boa filtração, respirabilidade e conforto.
Precisam ser leves, respiráveis e oferecer boa cobertura.
Exigem resistência, segurança e proteção contra contaminações de superficies.
Requerem maior barreira a fluidos e alta resistência para procedimentos críticos.
Depende da aplicação.
O SSS, composto por camadas Spunbond, pode ser utilizado em aplicações nas quais características relacionadas à resistência, uniformidade, cobertura e estrutura sejam prioritárias.
Por outro lado, quando a aplicação necessita de propriedades adicionais de barreira, podem ser consideradas estruturas que incorporam Meltblown, como SMS ou SSMMS.
Porém, a escolha correta não deveria começar pela pergunta: “Qual desses materiais possui a maior gramatura?”
O ponto de partida deveria ser: “Qual estrutura e quais propriedades são necessárias para que esse produto alcance o desempenho esperado?”
Os dois elementos são importantes, porém representam coisas diferentes. A gramatura é uma característica física do não tecido.
Já a proteção está relacionada ao desempenho necessário para determinada aplicação e aos requisitos do produto final. Portanto, maior gramatura não significa automaticamente maior proteção. Da mesma forma, menor gramatura não significa necessariamente menor proteção.
Para selecionar uma matéria-prima, é necessário considerar simultaneamente a tecnologia utilizada, a composição das camadas, a presença ou não de Meltblown, os tratamentos e aditivos, a gramatura e, principalmente, o desempenho exigido.
Essa lógica vale para diferentes dúvidas frequentes:
Em todos esses casos, existe um princípio comum:
Não escolha um não tecido médico apenas pela gramatura. Escolha a matéria-prima de acordo com a aplicação e com o desempenho necessário.
Na área médico-hospitalar, o desempenho do produto final começa antes de sua fabricação.
Começa na escolha da matéria-prima.
A Supper Medical desenvolve soluções em não tecidos para diferentes aplicações no setor da saúde, incluindo tecnologias SSS e SSMMS, com controle de processo, uniformidade e foco em desempenho. Portanto, antes de perguntar, apenas:
“Qual gramatura eu preciso?”
Vale fazer uma pergunta mais completa:
“Qual desempenho o meu produto precisa entregar?”
Porque, quando a aplicação é técnica, a matéria-prima também precisa ser.
R. Ten. Djalma Dutra, 915 – Sala 702 – Centro, São José dos Pinhais – PR, 83005-360
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